Roupas virtuais em alta.
A ideia de vender e comprar roupas que existam apenas no mundo virtual (usando dinheiro real!) está movimentando quantias altas, e promete movimentar muito mais. Os bens virtuais geram vendas reais no metaverso, que são ambientes onde as pessoas podem se reunir, passear, encontrar amigos e jogar. Um exemplo desse mundo é o Decentraland, onde roupas para avatares podem ser compradas e vendidas via blockchain na forma de um criptoativo chamado NFT (token não fungível), que é uma forma segura de compra e não pode ser trocado, representando algo específico e individual.
A explosão dos NFTs se deu no início deste ano, quando especuladores e entusiastas da criptografia se agruparam para comprar o ativo, que representa a propriedade de itens virtuais, como arte digital, cartões comerciais, terras, e agora roupas no mundo online.
Essa tendência que oferece peças em modelos inovadores e futuristas, no formato de pixels, podem apenas ser admiradas pelas telas ou vestidas com edição nas redes sociais. É o novo destaque do mundo fashion e design. Apesar de inusitada, essa nova onda ganhou tração com a popularidade da arte digital e tem cativado cada vez mais marcas e estilistas de renome interessados em capturar o público mais jovem.
A pandemia ajudou no crescimento dessa tendência.
Investimentos no metaverso estão cada vez mais constantes. A Epic Games, por exemplo, anunciou o valor de US$ 1 bilhão garantido para investir nesses mundos virtuais interconectados, deste montante US$ 200 milhões são oriundos da Sony.
Tim Sweeney, CEO da Epic, considera efetivamente o metaverso como a próxima evolução natural da Internet, a qual será construída usando padrões abertos para conectar essas experiências.
Imani McEwan, modelo e entusiasta do NFT, avalia que já gastou de US$ 15.000,00 a US$ 16.000,00 em 70 itens vestíveis NFT desde janeiro deste ano, usando o lucro de investimentos em criptomoedas. Segundo McEwan:
“Seu avatar representa você”.
Brasil tem potencial de crescimento nesse setor
Com o crescimento do e-commerce no Brasil, 60% em 2020 segundo o índice MCCENET, o ambiente possibilitou o surgimento de marcas especializadas nas roupas digitais no país, assim como o aumento na especialização de profissionais em design 3D. Cathy Hackl, CEO do Futes Intelligence Group afirmou que
“Há muitos projetos novos e frutíferos saindo de centros onde a moda sempre prosperou, como Paris, Londres e Berlim, mas o Brasil tem potencial de liderar esse mercado na América Latina”.
Mesmo algumas pessoas acreditando que a moda online não substitui as compras físicas, muitos defensores rebatem que os wearables e as compras em lojas virtuais podem ser o futuro do varejo. Vendo pelo lado sustentável, as co-fundadoras da startup de moda digital Auroboros, dizem que essa pode ser uma alternativa ecologicamente correta à fast fashion.
Paula Sello, co-fundadora da Auroboros, argumenta que o conceito de vestuário virtual pode limitar o desperdício de consumidores que compram roupas apenas para posar em fotos para redes sociais. É isso mesmo, um estudo feito por Barclaycard em 2018 descobriu que 9% dos consumidores britânicos compraram roupas apenas para postar fotos nas redes sociais e depois devolveram. Com o apelo ecológico Sello complementa, “Precisamos ter a mudança agora na moda. A indústria simplesmente não pode continuar”.
Fontes: Veja, Reuters, Venture Beat
Publicado originalmente por: Brainpro Tecnologia